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| Foto – Rostand Medeiros. |
Este hotel é uma lembrança de uma época em que o valor da cidade de Natal era visto não apenas nas praias e nas dunas, mas sobretudo nos céus, cruzados pelos pioneiros aviadores, e nas águas do rio Potengi, sobre as quais trafegavam mercadorias e gente de todos os cantos do mundo. É testemunha dos anos em que Natal esteve na mira das grandes potências bélicas. É a antiga casa onde se decidia o futuro político do estado, talvez tão importante em sua época quanto as câmaras e assembléias e palácios do governo.
Antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, o bairro comercial mais importante de Natal era a Ribeira. Era nessa região que se concentravam os principais órgãos de governo, onde estavam as estações ferroviárias e o porto. As avenidas Duque de Caxias, Tavares de Lyra, largas e arborizadas, e as praças José da Penha e Augusto Severo compunham o quadro. Os primeiros norte-americanos que chegaram a cidade foram os técnicos da ADP, com a função especifica de trabalhar no desenvolvimento do aeródromo de Parnamirim Field e foi para o Grande Hotel que eles se dirigiram em busca de algum conforto. Logo o inglês, depois do português, passou a ser o idioma mais falado nos bares, restaurantes, boates e no comércio local.
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| Engenheiros e militares americanos no hotel. |
Seguramente este hotel é, juntamente com a Base Aérea de Natal, a Rampa e a Base Naval de Natal, uma das maiores referências relativas a história da Segunda Guerra Mundial em terras potiguares.Se a vinda dos militares norte-americanos trouxe benefícios a membros da elite social natalenses, seguramente um destes foi Theodorico Bezerra, arrendatário do Grande Hotel, o principal da cidade naquela época, pois este hospedava os oficiais americanos, recebendo o pagamento em dólares.
No final da década de 1930 a capital potiguar contava com cinco hotéis de pequeno porte, que naquela época eram de propriedade de Theodorico Bezerra. Todos ficavam na Ribeira e entre estes podemos listar os Hotéis Internacional, Avenida, Palace e o Hotel dos Leões.
Quando a aviação começou a destacar a cidade em todo mundo, algumas empresas aéreas começaram a utilizar Natal como escala em viagens entre a Europa e a América do Sul, sendo constantes os pousos de hidroaviões vindos de diversos pontos do mundo junto ao estuário do Rio Potengi. Natal precisava de um hotel moderno, amplo, para um momento de intensas transformações sociais, econômicas e políticas no Rio Grande do Norte. A partir de 1935 o arquiteto francês Georges Henry Mournier realizou os estudos e o projeto do Grande Hotel de Natal. Mournier chegou ao Brasil no dia 26 de outubro de 1927 e marcou sua carreira com inúmeras obras pelo Nordeste.
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| Na Rampa: os passageiros do hidroavião Boeing 314 Clipper, da Pan American Airways que pernoitavam em Natal se hospedavam no Grande Hotel, ou em seus anexos. |
O empreendimento foi arrendado a Theodorico Bezerra em maio de 1939, pois, enfim, era o único em Natal que entendia de hotelaria. Mas o empreendimento só começou efetivamente a funcionar em setembro daquele ano. Theodorico continuou como arrendatário por 48 anos, até 1987. Ele ganhou muito dinheiro com o hotel, comprando muitas terras, e quando finalmente devolveu o hotel ao estado foi cuidar de suas fazendas. Chegou a ser deputado estadual, demonstrando considerável perspicácia política para obter uma licença que permitisse o funcionamento de um cassino no hotel.
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| Hóspedes do hotel na época. |
Além dos estrangeiros, grandes figuras de projeção nacional e da máquina governamental do presidente Getúlio Vargas se hospedavam no Grande Hotel, inclusive altas autoridades militares como Gaspar Dutra, Cordeiro de Farias e Mascarenhas de Morais. Havia muito movimento no hotel na época. Do seu mezanino, que se abria sobre o restaurante, uma pequena orquestra tocava valsinhas na hora das refeições. O Almirante Ary Parreiras, construtor da Base Naval de Natal, só se hospedava com a família e o General Gustavo Cordeiro de Farias ficava sempre no quarto 216. Artistas americanos também se hospedavam no hotel, principalmente atores de cinema da época, que vinham animar os militares com suas apresentações.
O Grande Hotel, que, vítima dos movimentos políticos e econômicos, e sem dúvida da decadência do bairro da Ribeira, passou de cartão postal da cidade a nota de rodapé da história. Um patrimônio histórico estadual – ao menos no papel – que no entanto vem sofrendo sucessivas reformas ao longo dos anos. Até recentemente o prédio do Grande Hotel foi utilizado pelo Juizado Especial Central da Comarca de Natal, antes conhecido como Juizado de Pequenas Causas. Atualmente está sem utilização aparente. Pesquisa: Fonte 1/ Fonte 2. Fotos dos sites pesquisados.
Este é mais um post histórico sobre minha cidade e estado. Faz parte de uma iniciativa própria para conhecer a história de onde nasci e moro. Até o próximo post!




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