21/05/2016

A caneta esferográfica


Num dia qualquer de 1937, o então revisor tipográfico Laszlo Biro, de 36 anos, foi à oficina do jornal em que trabalhava em Budapeste, na Hungria, para corrigir provas de página. Por acaso deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. Chamou-lhe a atenção a maneira pela qual o cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. 
Havia alguns anos, Biro sonhava criar uma caneta que não borrasse ou cuja tinta não secasse no depósito. Assim, ao observar a rotativa ocorreu-lhe que seria possível fabricar uma caneta baseada no mesmo processo, ou seja, que permitisse escrever por meio de um cilindro cheio de tinta. Com o irmão Georg, que era químico e o ajudou a conseguir uma tinta adequada, e o amigo Imre Gellért, técnico industrial, Biro levou adiante o projeto da revolucionária caneta. 

Após meses de trabalho, os três conseguiram criar um modelo em que a tinta molhava uma bolinha de aço por meio da pressão de um pistão de rosca sobre o reservatório de tinta. Surgia assim a caneta esferográficil - um dos inventos mais bem-sucedidos deste século, que como poucos se incorporou à vida diária de muitos milhões de pessoas.

Pode-se dizer que no mundo de hoje quem escreve, escreve com esferográfica: as clássicas, elegantes canetas-tinteiro de outrora são usadas apenas por uma minoria, até por uma questão de preço. Mas Biro teve de trabalhar muito para superar os inconvenientes da primeira versão de seu invento. A princípio, de fato, quando a pressão sobre o corpo da caneta era muito forte, a tinta e a bolinha de aço eram atiradas longe. De qualquer forma, já em 1938, a caneta esferográfica estava patenteada...

Uma boa esferográfica deve movimentar-se em todas as direções - algo que a pena da caneta-tinteiro não consegue. Ao deslizar pelo papel a esfera se move e suga a tinta do tubo que fica dentro do corpo da caneta. Para que a tinta não saia além ou aquém do necessário é preciso que a distância entre a esfera e a ponta metálica tenha a precisão de milésimos de milímetros...

Atualmente a viscosidade é obtida ou à base de óleo - em que a secagem se dá pela absorção no papel - ou de um solvente como o álcool - em que a secagem se dá por evaporação. Uma esferográfica comum costuma ter de 0.5 a 1.5 mililitro de tinta. Mas os reservatórios de tinta de 1.5 ml precisam de uma tampinha e um respiradouro, além de uma pequena quantidade de um líquido ainda mais viscoso, pois, sem isso e com o tubo fechado, a tinta não flui pela esfera por causa da pressão. Por esse motivo há um furinho nos corpos das esferográficas comuns. O diâmetro da esfera também varia: é isso que determina o tipo de escrita, mais grossa ou mais fina.

Hoje em dia, os brasileiros compram 700 milhões dessas canetas por ano. E o húngaro Biro? Ele se naturalizou argentino e viveu em Buenos Aires até morrer, em 1985, aos 84 anos. No dia de sua morte, as papelarias portenhas hastearam a bandeira a meio pau.
( Revista SuperInteressante)
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Oi gente! Escrevendo aqui no teclado mas com minha caneta esferográfica do lado, em cima do meu caderno. Ontem mesmo estava comentando como as canetas parecem ter perninhas... no meu setor de trabalho nenhuma fica lá mais de um dia, ou você anda com a sua no bolso ou adeus!
Participando da BC da Chica outra vez:

Caneta: objeto útil que desaparece muito fácil.
Já ganhei uma caneta chique de presente.
Desabafe seu coração escrevendo com sua caneta.

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Beijos nas bochechas!